
Quando era muito pequena, desenhava histórias em quadrinhos. Aprendi também a costurar e fazia roupas para as minhas bonecas, entre as competições de ginástica olímpica e os treinamentos no Clube.
No primário fundei um clubinho para compartilhar carteirinhas VIP com as minhas amigas. Jogávamos um jogo de memória com cartões que eu mesma desenhava.
Durante a adolescência, me envolvi com um partido político porque queria mudar o mundo. Deixei a ginástica olímpica para dançar ballet. Entre ensaios e shows, levantava a bandeira do meu partido nas manifestações da Avenida Paulista, exigindo Diretas Já.
Na juventude, investi meu tempo livre nos trabalhos da Igreja com o grupo de Jovens com Cristo e seus inúmeros eventos. Trabalhei na equipe de comunicação, desenhando e colorindo catálogos.
Ainda não tinha completado 17 anos quando passei no vestibular. Aos 25, já tinha me formado em Propaganda e Marketing, Jornalismo, Estilismo, além de vários cursos paralelos como Hotelaria, corte e costura, e desenho industrial. Trabalhei em agências, em redações de revistas, em escritórios de assessoria de imprensa e em uma fábrica de roupas.
Aos 26 anos, vim para Paris estudar haute-couture. Para manter meu corpo em forma, fazia aulas de ballet clássico e flamenco na escola de dança do Marais. Pouco tempo depois, criei minha própria associação cultural para dar aulas de dança e ginástica, evitando os planos caros das academias de Paris. A Associação realizou inúmeros eventos culturais em toda a França. Para divulgar os serviços e projetos, aprendi a programar e publiquei o meu primeiro site na web.
Enquanto trabalhava como professora de dança, coach esportiva e treinadora de ginástica acrobática para crianças, segui formações em diversos setores, como Costume de Scene, Science du Langage, Educação Esportiva e Pilates.
Um dia, um vírus fora do comum interrompeu o meu percurso. Turmas foram fechadas, perdi alunos e horas de trabalho. Fiquei doente e fui considerada inapta para o trabalho. Fechei a Associação e parti para uma reconversão profissional em Webmaster. Me formei em Marketing digital, Gestão de Conteúdo e Storytelling.
Aos 50 anos fui diagnosticada com TDAH. O diagnostico não mudou em nada a minha vida, só explicou o meu percurso.
Hoje, procuro emprego, que é por si só, um trabalho a tempo integral. Enquanto o job não aparece, busco aprender coisas diferentes que me dão satisfação. Criei meu próprio jogo e me aventurei no Blender para explorar minha criatividade. Entre o envio de currículos e candidaturas, faço testes de sites e aplicativos e envio os resultados e relatórios aos interessados. Nunca obtive retorno. Trabalho gratuito ou beneficente costuma não ter valor.
Minha vida é uma incrível jornada, repleta de experiências que me enriqueceram e me fizeram valorizar profundamente cada aprendizado. Enquanto aguardo ansiosamente por oportunidades atraentes, persisto na busca constante por novos conhecimentos que me tragam realização. Afinal, a esperança é a chama que nunca se apaga.”
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